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Seu peito é uma incógnita que meus dedos não conseguem resolver. Que me tira do sério, de mim, do mundo. É um fio que me prende em teus laços, nos (in)cômodos apertados onde não cabe ninguém além de você. Moro em teus rumos mal tomados e em suas rimas de um gole só, bebidas quentes como seus olhos de cafeína. A gente é poeira estelar debaixo do tapete do teu quarto, meu bem. Se perco a chave, me perco também na chuva que me aguarda fora de casa - ou fora de ti. E, com o pé da letra, tropeço em tuas cordas vocais, caio no nó da sua garganta e me despeço das borboletas suicidas que moram no seu estômago. Entenda que desejo voar por entre os destroços da galáxia, enquanto você só observa o pálio do céu no reflexo do mármore frio, sem se queimar com meteoritos em combustão e derreter com o calor do Sol. O seu amor é o intervalo entre a dança e o cansaço, pois quando o sapato aperta você nos - ou seria nós? - dá para acabar com a dor. O meu desamor é o pequeno espaço entre dois abismos, pois a gente nunca soube a diferença entre sentir e ser ti - somos paradoxos sem ímpar ou par. Ah, meu bem, a gente só existe entre a bossa nova e o rock n’ roll, entre meus olhos e os teus, mas nunca como um meio-termo inteiramente nós. Nós. Atados pelo despertar dos sonhos e o adormecer da razão. Que interligam dois pontos, porém nunca os une. Teu peito é um rio que volta às nascentes, mas nunca chega ao (a)mar. Você transborda e me naufraga. Me salva e afoga-me em lágrimas. Porque minha superfície é você, e o meu poço sem fundo também. E eu realmente gosto de profundidades.